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Tomé Pires (147?- 1523?)

Nascido em Portugal nos finais do século XV, foi como boticário que partiu para o Oriente onde, para além das funções de feitor para o comércio das especiarias, reuniu importante pecúlio. Afonso de Albuquerque enviou-o a Malaca, a que se seguiu, em 1516, a nomeação como embaixador de Portugal na China, missão da qual jamais regressaria. Agastadas com os consecutivos ataques portugueses ao comércio do Mar da China, as autoridades chinesas deram ordem de detenção a Tomé Pires, que terá sido executado em 1522 ou 1523.

 

"O reino do Sião possui três portos na costa ocidental (Mar de Andaman) e muitos mais na costa oriental [Golfo do Sião]. É vasto e rico, bem povoado e dotado de grandes cidades onde habitam muitos mercadores estrangeiros, maioritariamnte chineses, pois o comércio com a China é intenso. O povo que o habita é de constituição física alta e escura, muito parecido com o de Pegu [Birmânia], sendo muito eficiente nas actividades comerciais. O país é governado com grande justiça pelo seu rei, que habita na cidade de Ayuthia.
Tem o monarca mais de quinhentas mulheres e é servido por um grande número de funcionários dedicados e competentes, que cumprem com grande eficiência as ordens do seu soberano.
Os mercadores estrangeiros que aqui chegam não conseguem realizar bons negócios, com excepção dos chineses, protegidos pelo rei, pois os siameses são habilidosos na arte de regatear os preços. Desta forma, muitos estrangeiros evitam visitar este país que, embora rico, poucos lucros proporciona aqueles que ali vão com o intuito de fazer riqueza. No Sião vivem muito poucos mouros, pois os naturais deles não gostam. Porém, há muitos árabes, persas e indianos”
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(Recolha de textos por Miguel Castelo Branco)

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